Análise de Portfólio
Este é um tema pouco discutido por gestores, mas tem implicações relevantes no resultado da empresa, e portanto, no retorno sobre o capital dos sócios, assim como na motivação dos colaboradores.
A análise de portfólio parte da identificação das várias famílias de produtos ou até mesmo de negócios distintos que compõe a empresa. Por simplicidade, chamaremos cada uma destas famílias de produtos ou negócios individuais de negócios.
Cada negócio tem suas necessidades de investimentos, seu custo variável, sua geração de margem de contribuição e de caixa. A análise de portfólio, em síntese, se concentra em entender e quantificar duas dimensões de cada negócio. Sua contribuição para a estratégia da empresa como um todo e sua contribuição para a geração de caixa atual e projetada.
É comum vermos negócios com uma geração de caixa pífia subsistindo dentro das empresas, consumindo recursos e atenção da alta gerência simplesmente porque fazem parte do portfólio. Mesmo quando esta atenção e recursos poderiam ser direcionados para outros negócios com maior geração de caixa e aderência a estratégia.
Um argumento usual para manutenção destes negócios claudicantes, é que apesar de tudo, geram caixa e a empresa ficaria pior sem eles. Este argumento, em 90% dos casos, não se sustenta em uma análise objetiva levando em conta quanto do tempo e atenção da alta gerência e direção são consumidos por este negócio, ou ainda, qual a geração incremental de caixa caso os recursos fossem investidos nos demais negócios do portfólio.
A análise mostra os motivos que levaram este negócio, em particular, a apresentar uma geração de caixa abaixo das expectativas normalmente mostra que a concorrência está atuando de forma mais competitiva ou o mercado está encolhendo de forma a limitar o espaço de manobra.
No caso de uma atuação mais efetiva da concorrência ela não vai desaparecer, na maior parte dos casos, se torna ainda mais acirrada com o tempo. Neste caso, podemos pensar o quanto este negócio valeria para a concorrência, levando em conta a possibilidade de existirem sinergias, como por exemplo, a possibilidade do concorrente não precisar aumentar o seu custo fixo para agregar este adicional ao seu negócio e a margem de contribuição puder, em sua maior parte, ser vista como geração de caixa.
Esta assimetria leva o negócio a valer menos para o seu detentor atual que para um concorrente. A venda pura e simples deste negócio pode gerar um valor substancialmente maior para os sócios e para a empresa como um todo do que sua manutenção no portfólio.
A geração de valor para os sócios é obvia, quanto maior as sinergias potenciais, maior a diferença de valor do negócio na perspectiva dos concorrentes e na perspectiva da empresa.
A geração de valor para a empresa também é evidente, pois os recursos provenientes da venda (e não estamos falando apenas de recursos financeiros, mas também de tempo e atenção do management) poderão ser alocados em negócios com maior geração de caixa, melhores perspectivas de crescimento ou simplesmente distribuídos para os sócios.