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Empresa Familiar e Empresa não Familiar 

As empresas familiares e as não familiares podem ser bastante diferentes quanto a forma de gestão, seus problemas mais comuns e suas vantagens. Neste artigo iremos apresentar algumas dessas diferenças e seus impactos nos resultados dessas empresas.

 

As empresas, do tipo sociedade anônima de capital aberto, normalmente tem a sua gestão submetida a conselho de administração que representa os interesses dos acionistas. Os acionistas, por sua vez, não tem vínculos de longo prazo com essas empresas, podendo vender suas ações a qualquer momento e reposicionar o seu portfólio de investimentos dentro de um saudável processo de análise de portfólio. 

 

A falta de vínculos de longo prazo incentivam os acionistas a buscarem resultados de curto prazo, uma vez que no primeiro sinal de problemas de posicionamento de longo prazo podem reposicionar seus investimentos vendendo suas ações, tendo embolsado os dividendos e a valorização da ação em decorrência dos resultados de curto prazo.

 

Discussões de investimentos em CAPEX, nesse contexto, pode assumir uma perspectiva dramática uma vez que a utilização da geração de caixa para investimentos pode significar e, normalmente significa, uma redução nos dividendos a ser distribuídos. Neste caso a pressão pelo curto prazo pode levar a empresa a ter dificuldades no longo prazo.

 

Empresas familiares por outro lado tem um maior comprometimento de longo prazo com seus negócios e sua análise de portfólio não é tão imediatista quanto a de um acionista de uma empresa do tipo sociedade anônima de capital aberto. Considerações como estratégia e posicionamento de longo prazo tem mais peso neste tipo de empresa, tornando eventualmente os resultados de curto prazo abaixo de seu potencial máximo, mas maximizando o resultado de longo prazo.

 

Outro aspecto relevante está na remuneração dos gestores. Empresas não familiares tendem a atrelar a sua política de remuneração variável a resultados de curto prazo, raramente vemos qualquer métrica atrelada a posicionamento de longo prazo incentivando os gestores a considerar apenas o curto prazo, muitas vezes tomando decisões com consequências negativas a longo prazo. Empresas familiares por outro lado muitas vezes não adotam programas de remuneração variável, o que desvincula a performance do gestor dos resultados da empresa, podendo ter impacto negativo na motivação os mesmos.

 

Gestores de empresas não familiares têm que equilibrar a sua atenção com a gestão propriamente dita com a comunicação dos resultados para sua diretoria e/ou para o conselho de administração de modo a obter suporte para suas iniciativas. Muitas vezes uma parcela substancial do tempo e do talento desses executivos são consumidos no convencimento de conselhos em detrimento da efetiva geração de valor para as empresas.

 

O nível de impessoalidade também tem impactos profundos nas empresas. Profissionais com desemprenho que não contribuam efetivamente para o resultado da empresa são substituídos rapidamente na empresa não familiar independentemente do que já tenham feito no passado. Este comportamento é positivo para maximizar os resultados, mas por outro lado não permite que se tente recuperar o desempenho de um profissional que já tenha contribuído efetivamente para o resultado da empresa, mas que esteja vivendo um mal momento profissional.  

 

Nas empresas familiares, a família permanece na gestão, ou pelo menos nos conselhos de administração por muito tempo, e o desempenho passado não é esquecido, portanto a possibilidade de recuperação de um profissional é maior. Entretanto, muitas vezes a manutenção de um profissional que não está desempenhando ultrapassa os limites do aceitável, comprometendo os resultados da empresa.

 

Em minha opinião, as empresas familiares poderiam melhorar a sua performance implementado características de disciplina operacional e alguma impessoalidade comuns nas empresas não familiares, estas por sua vez, poderiam lucrar muito adotando visões que também contemplem  o longo prazo tal qual nas empresas familiares.

 

Apesar de essencialmente técnica a gestão muitas vezes é a arte do equilíbrio.

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