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Não Existe Almoço de Graça

"There's No Free Lunch"

No mercado existem várias iniciativas alavancadas por técnicas de marketing, bem estabelecidas e elaboradas, que vendem alternativas para capitalizar empresas que vão desde startups até as bem constituídas. Estas ofertas de capitalização normalmente são apresentadas como extremamente vantajosas, muitas vezes incluindo serviços e suporte agregados. 

 

O fato é que dentro da lógica de mercado dificilmente algum agente financiador irá oferecer alternativas, que na perspectiva dele, deixarão de obter a maior rentabilidade possível para o capital investido. Seria o mesmo que uma empresa oferecer uma redução do preço de seus produtos e serviços, diminuindo sua margem de lucro, a troco de nada.

 

Vamos abordar neste artigo a capitalização por aquisição de participação na empresa. Ao contrário do que possa ser entendido intuitivamente, essa é a forma mais cara de capitalização. Quando se toma um empréstimo, por maior que seja o juro contratado, o seu pagamento, juro mais principal, é limitado no tempo. Dentro do prazo contratado a dívida é paga, por outro lado, a venda de participação acionária gera um fluxo de dividendos para o novo quotista durante toda a vida da empresa, sem falar de possíveis interferências deste novo sócio na gestão.

 

A venda de participação acionária não é ruim, desde que seja feita pelos motivos certos, e necessidade de capital para a própria empresa não é um deles. Os motivos adequados para a venda de participação, dentre outros, podem ser a atração de um sócio estratégico que poderá agregar gestão ou facilidade de acesso a mercados e/ou fornecedores, liberação de caixa para quotistas iniciais investirem em outros projetos mais atrativos, diluição do risco, etc.

 

No caso de startups a situação ainda é mais complexa, tanto do ponto de vista dos empreendedores quanto dos investidores.

 

Do ponto de vista dos empreendedores a empresa, se avaliada por mecanismos convencionais, vale muito pouco e portanto uma participação substancial pode ser comprada por um valor relativamente baixo, comprometendo o fluxo futuro de dividendos dos empreendedores iniciais ou mesmo o montante que poderiam apurar na eventual venda da empresa. 

 

Do ponto de vista dos investidores, caso o plano de negócio da startup seja atraente e faça sentido estratégico, o investimento pode ser uma alternativa de multiplicação rápida do capital ou de solução de problemas com baixo investimento e o risco fica todo na startup, não contaminando a empresa investidora. 

 

A perspectiva de crescimento acelerado da startup, ou ainda, de efetiva solução de problemas da empresa investidora, muitas vezes justifica o aporte de recursos não financeiros, aparentemente a custo zero, como por exemplo acesso a canais de vendas e expertise financeiro.

 

Algumas vezes empresas constituem fundos de Corporate Capital Venture que vão ao mercado pesquisar startups que possam contribuir com seu negócio. Neste caso são apostas pequenas, do ponto de vista financeiro, em ideias que podem ser testadas com um risco muito baixo e exposição de capital limitada. 

 

Caso a empresa decida ela mesma testar o conceito, certamente custará mais caro e exigirá maiores investimentos, trazendo um risco inerente ao novo negócio para dentro de sua organização. 

 

As startups devem negociar a exaustão com as empresas para não se arrependerem depois por ter cedido demais ou ainda ter aceito cláusulas do tipo drag along que podem comprometer a estratégia de saída dos empreendedores.

 

Em síntese não existe almoço de graça, nenhum gestor vai oferecer formas de capitalização que não maximizem o retorno de seu investimento a troco de nada. O empreendedor, quando abordar estes investidores, deve entender de onde vem o valor gerado para eles, negociando com efetividade para que também exista uma clara geração de valor para ele mesmo e que o seu negócio tenha uma alavancagem estratégica com o investidor. Desta forma o processo é bastante positivo tanto para o investidor quanto para o investido.

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